(…) Sr. Presidente, venho à tribuna – falava à pouco com o Deputado Luiz Paulo, líder do PSDB – para trazer a minha visão pessoal. Não debati, Deputado Luiz Paulo, com o meu partido essa questão, mas venho trazer a minha visão pessoal, como parlamentar deste Estado, comprometido com este Estado, sobre esse debate que tomou conta do noticiário, desde o dia de ontem, com a possibilidade de o Estado de São Paulo captar parte das águas do nosso rio Paraíba.
Esse debate toma, Sr. Presidente, na minha visão de forma desproporcional, um debate movido pela emoção bairrista. Nós não estamos tratando de uma matéria qualquer; estamos tratando da vida do cidadão paulista, o cidadão que mora na capital e na grande São Paulo; estamos tratando da questão da necessidade de água nas casas, da necessidade de água para que aqueles brasileiros também possam ter a sua sobrevivência.
Existe no País a Agência Nacional de Águas – ANA – o pessoal técnico, qualificado, para fazer os estudos embasados, para ver a possibilidade da vazão do Rio Paraíba do Sul poder socorrer temporariamente as necessidades de São Paulo, já que lá o reservatório principal que abastece a região passa por um problema crônico, em níveis históricos nunca alcançados, abaixo de 15%, Cantareira. Existem outras possibilidades de outras regiões no Estado de São Paulo, é verdade.
Mas eu trago aqui a palavra da responsabilidade federativa. Nós somos uma Federação e pode se transformar numa luta de Estados individuais. Se algum Estado, neste momento, está precisando de algum tipo de apoio em questões essenciais para a vida do brasileiro que ali mora, tem que se abrir, de forma responsável, um debate sério. Vamos negar água à população de São Paulo, porque estão tirando dos reservatórios do Estado do Rio de Janeiro? Parece-me uma coisa menor!
Os continentes do mundo que passaram por problemas graves, como as grandes guerras, aprenderam a conviver no coletivo e a sofrerem, inclusive, restrições no coletivo. Ricos e pobres, países ou estados. Não é possível pegar-se uma matéria desta natureza e partirmos para um enfrentamento como se fosse uma briga de torcidas de futebol.
Então, Sr. Presidente, quero trazer a minha posição. Se tecnicamente a Agência Nacional de Águas, junto com Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, as pessoas que conhecem profundamente essa matéria entenderem que é a única saída para que se minimize o problema por que passa hoje a Grande São Paulo, eu quero trazer aqui o meu apoio, o meu apoio como brasileiro, o meu apoio como Deputado deste Estado. E temos aqui defendido, através de iniciativas parlamentares, a própria questão do Rio Paraíba, o controle da qualidade da sua água. Falava hoje, no jornal, o nosso colega Deputado Minc, que se São Paulo retirar o volume de água do Rio Paraíba, vai comprometer a fauna e a flora, porque o rio ficará mais poluído, já que recebe poluentes ao longo do seu traçado. Mas o que a Secretaria de Meio Ambiente fez ao longo desse período todo, para diminuir os poluentes que chegam ao leito do Rio Paraíba. O que fez a Secretaria de Meio Ambiente do Estado?
Então, Sr. Presidente, o meu apoio, levarei este tema ao nosso partido. Espero que esta Casa não tire nenhuma posição que não tenha o princípio republicano, que não tenha o princípio federativo, que não tenha o princípio da compreensão de que todos somos brasileiros, que não tenha o princípio da preocupação com todos, por uma questão apenas de marcar posição, como se fosse uma luta entre torcidas de futebol. O espírito do brasileiro, o espírito especialmente do carioca e do fluminense, é o espírito que busca solidariedade, é o espírito que busca solidariedade, é o espírito que busca ajudar ao próximo. Essa é a alma do carioca, é a alma do fluminense. E esperamos que nesta matéria, especificamente, prevaleça a questão do bom senso, prevaleça o nosso comportamento, torno a falar, republicano e federativo. Se São Paulo precisar, vamos ajudar São Paulo, como se um dia qualquer o Rio de Janeiro precisar, esperamos que os irmãos paulistas nos deem essa mão. Agora uma luta bairrista para privar outro brasileiro de ter acesso à água, me parece uma coisa menor e uma coisa pouco republicana. Muito obrigado.