Governador promete que se o seu candidato em Niterói for eleito, o Estado se fará mais presente na cidade

O SR. COMTE BITTENCOURT – Presidente Edson Albertassi, Deputado Xandrinho, Deputado Altineu, futuro Prefeito de Itaboraí, Deputado Bolsonaro, senhoras e senhores, eu quero trazer ao plenário um comentário sobre uma situação, na minha visão, inusitada, a respeito de um comportamento do Governador Sérgio Cabral.

E por que digo inusitada, Presidente? O Governador Sérgio Cabral, ao longo dessa trajetória de Governo, se apresenta, primeiro, como um republicano, fazendo questão de colocar um marco divisório entre a prática de Governo dele, o seu comportamento enquanto Governador, e os governos que o antecederam, especialmente do casal de ex-Governadores Rosinha e Garotinho. O Governador Sérgio Cabral, não por poucas vezes, mas sempre se dirigia ao Governo anterior como um Governo que não tinha, na sua prática de relacionamento com os 92 governos municipais, na sua prática de relacionamento com os prefeitos que eram de partidos de oposição, teria rompido esse comportamento, teria inaugurado, na prática da governança do Rio de Janeiro, uma relação republicana, Governador de todos.

E para nossa surpresa, no último sábado, e é óbvio que o Governador e o seu partido tenham o direito democrático, legítimo, de fazerem as suas opções eleitorais – não estamos discutindo opções eleitorais, o Governador Sérgio Cabral tem a sua opção eleitoral nos 92 municípios, como tem na nossa Niterói. Mas uma coisa é o Governador ir ao palanque colocar as qualidades e os predicados do seu candidato, o que diferencia o seu candidato dos demais candidatos, para que ele faça a sua opção de apoio político eleitoral. Outra coisa é o Governador que se diz republicano, um Governador que está no 6º ano de Governo, caminhando para a segunda metade e última da sua governança, ir a Niterói, em apoio ao seu candidato, dizer para a população que caso o seu candidato seja eleito, a partir do ano que vem o Estado se fará mais presente nas questões do trânsito e da saúde de Niterói.

Dá uma escorregada o Governador Sérgio Cabral e se coloca, de fato, no que ele sempre foi, rigorosamente no que ele sempre foi, um Governador também de viés populista; um Governador que sempre buscou se apresentar como um diferencial dos demais, mas que se apresenta de fato como é verdadeiramente no momento do calor e da empolgação da campanha eleitoral. O Governador Sérgio Cabral nos derrotou em Niterói na eleição de 2006, quando derrotou a nossa candidata ex-Juíza Denise Frossard, apesar de que, Deputado Albertassi, no primeiro turno de 2006, a Juíza Denise Frossard foi vitoriosa em Niterói, levando a eleição para o segundo turno. E perdeu por 1% do Governador Cabral. Mas ele ganhou as eleições em Niterói, em 2006.

Em 2010, o Governador Sérgio Cabral vence também o nosso candidato a Governador Fernando Gabeira já no primeiro turno. É verdade, com uma diferença muito maior do que obteve com relação à eleição de 2006. Mas também sai vitorioso nas eleições de 2010 na Cidade de Niterói. Ou seja, o Governador Sérgio Cabral ganhou as duas eleições de Governo do Estado em Niterói. E vem agora falar que se o seu candidato a prefeito for o vitorioso ele vai estar mais presente para ajudar o município enfrentar os problemas do trânsito e da saúde.

O que ele fez até agora? O que fez até agora nesses seis anos? Que tipo de comportamento republicano teve esse Governador nesses seis anos? Ou seja, ele assume em palanque que fez muito pouco, ou quase nada. E ganhou as duas eleições na Cidade de Niterói. Ele dá aquela escorregada e volta à sua origem populista, à sua origem de relacionamento no campo político que ele de seis anos para cá vem combatendo, vem renegando; renegando e criticando. Ou seja, diferente do Governador anterior, que o próprio atual Governador diz que perseguia, pelo menos era autêntico, perseguia. Esse persegue de outra maneira, esse persegue se ausentando das suas responsabilidades. Esse, então, persegue não se fazendo presente enquanto parceiro dos municípios, dos 92 municípios do Rio de Janeiro.

É lamentável a população de Niterói ter ouvido isso na caminhada que o Governador Cabral fez com o seu candidato. Volto a falar, não estamos aqui reivindicando apoio do Governador Cabral ao nosso candidato. É democrático o Governador fazer as suas opções, é democrático, respeitamos. Mas não pode o Governador, em função da empolgação e do calor do momento eleitoral, entrar em contradição de tudo aquilo que ele vem pregando desde que aqui fez o seu primeiro pronunciamento quando assumiu o Governo do Estado.

Então, a população de Niterói tem que ficar sabendo a partir de sábado; o Governador Sérgio Cabral fez muito pouco, ou quase nada, pelo trânsito, e é verdade. Se olharmos as intervenções do trânsito da cidade feitas pelo Governo do Estado na antiga capital, nós vamos ver lá a faixa exclusiva da Alameda São Boaventura, iniciada pela Governadora Rosinha e terminada pelo Governador Cabral. Mais nada!

Na área da saúde, uma UPA para uma cidade de 500 mil pessoas – que recebe uma pressão tremenda dos municípios do entorno –, alguns investimentos no CTI do Hospital Azevedo Lima e alguns poucos investimentos. Nada mais.

O Município de Niterói, no período das municipalizações do SUS, Deputado Waguinho, no final dos anos 80, assumiu todas as grandes unidades de saúde como hospitais e postos de saúdes que eram do Estado e da União. V. Exa. há de se recordar que é a única cidade que foi Capital de Estado; não teve outra incorporação de capitais como teve aqui entre a antiga Guanabara, a Cidade do Rio de Janeiro e a Cidade de Niterói, só que a Cidade de Niterói herdou toda a infraestrutura que antes pertencia ao Governo Federal e ao Governo Estadual e hoje está entregue a sua sorte – o Hospital Getúlio Vargas Filho, Hospital Psiquiátrico, em Jurujuba, dois hospitais do Estado. Quantas cidades de 500 mi pessoas no Brasil assumiram dois hospitais do Estado? Quantas cidades de 500 mil pessoas no Brasil assumiram três unidades hospitalares federais – Lourêncio de Freitas, CPN, hoje, Carlos Tortele atrás do Antônio Pedro, unidades que há 20 anos eram geridas com recursos do Tesouro Federal e do Tesouro Estadual e que de lá para cá passaram a responsabilidade do orçamento próprio do município.

Por mais que se tenha o SUS, todas as cidades têm, mas quem paga hoje o médico e o servidor de apoio desses hospitais que antes eram remunerados pela União e pelo Estado? O orçamento de Niterói.

Lamentamos porque achávamos que um governo de fato deve reconhecer, tanto é que o meu partido, independente da agenda eleitoral, vem se aproximando. Estamos apoiando o Prefeito Eduardo Paes que tem um modelo de gestão que concordamos. Pode ter erros? Têm, mas tem um modelo de gestão de transparência que concordamos. É exitoso.

Quanto ao Governador Sérgio Cabral, lamento. Que aproveite o momento do palanque eleitoral, no calor e na empolgação de fazer qualquer ato para eleger os seus escolhidos, afirmar para a população de Niterói que quase nada ou nada fez, durante esses seis anos, na questão do trânsito e na questão da saúde da Cidade.

Lamento e vamos continuar acompanhando, independente do transtorno que ele criou com o engarrafamento na Região Oceânica da Cidade, um engarrafamento de mais de duas horas e meia. Aquela caminhada acabou funcionando contrário ao Governador porque pessoas ficaram duas horas e meia no trânsito por causa de uma caminhada mal escolhida – no Largo da Batalha – para o Governador passar lá 20 minutos, falar essas bobagens e assumir para a população de Niterói que, em seis anos de governo, muito pouco ou nada vez em saúde e em trânsito.

Muito obrigado.

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